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06/07/2010 - 11:27MERENDA ESCOLAR - Força-tarefa apreende documentos em SorocabaAs investigações foram iniciadas há dois anos a partir de denúncias recebidas pelos promotores de Justiça de Ribeirão das Neves, região de Belo Horizonte. O MP tem indícios de que a prefeitura tenha pago irregularmente cerca de R$ 15 milhões a uma empresa fornecedora.
Uma força-tarefa dos Ministérios Públicos (MP) de São Paulo e Minas Gerais desencadeou ontem uma operação de busca e apreensão em 21 endereços de ambos os Estados, um deles ligado à empresa J. Coan, no condomínio de luxo Bosque São Bento, situado à margem da rodovia Raposo Tavares e vizinho ao bairro Campolim. O MP divulgou ontem que a ação visou apreender provas para as investigações criminal e cível de um esquema de desvio de verbas destinadas à merenda escolar envolvendo cerca de 30 prefeituras paulistas e mineiras. Para o MP, o total da propina paga por empresas para agentes públicos pode atingir R$ 300 milhões anuais. O promotor do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), Wellington dos Santos Veloso, disse que foram apreendidos documentos fiscais, contábeis e feita cópia do conteúdo de computadores na residência do sócio da empresa J. Coan, no condomínio Bosque São Bento. Ele não revelou o nome do investigado. A operação iniciou simultaneamente às 6h30 em todos os endereços e, em Sorocaba, terminou antes do meio-dia. Outro promotor do Gaeco de Sorocaba, Roberto de Campos Andrade, acompanhou duas apreensões em Tietê, na sede da J.Coan e na residência de outro dos sócios. O Gaeco de Sorocaba só realizou as apreensões em apoio ao Gedec de SP e o MP mineiro, responsáveis pelas apurações. Segundo o promotor Veloso, em Sorocaba e Tietê as ações do Gaeco foram acompanhadas por agentes da Fazenda Estadual de São Paulo e de Minas Gerais e pelo Grupo Anti-Sequestro, da Polícia Civil. Além da J. Coan, são investigadas as empresas do Grupo São Paulo Alimentação (Gurmaitre, Ceazza e Verdurama), Nutriplus, EB Sistal, Convida Denadai e Terra Azul. Em São Paulo, as apreensões ocorreram em Sorocaba, na capital e Tietê. Em Minas Gerais, em Belo Horizonte, Contagem, Mariana, Varginha e Uberaba. Toda a operação recolheu documentos relacionados com o esquema de crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e formação de cartel. Nas buscas em Minas Gerais houve a apreensão de cerca de R$ 1,5 milhão em cheques em uma das empresas investigadas e documentos ligados à falsificação de notas fiscais para justificar a saída do dinheiro de contas correntes. As investigações foram iniciadas há dois anos a partir de denúncias recebidas pelos promotores de Justiça de Ribeirão das Neves, região de Belo Horizonte. O MP tem indícios de que a prefeitura tenha pago irregularmente cerca de R$ 15 milhões a uma empresa fornecedora. Estamos buscando elementos para a confirmação do cartel, da lavagem de dinheiro e da participação de determinados agentes políticos em corrupção, disse o promotor de Ribeirão das Neves, Fabrício Fonseca. Há indícios de pagamento de propina em São Paulo. Em Minas, não temos esses indícios ainda. De acordo com o MP-MG, o esquema criminoso reproduz o mesmo procedimento apurado em São Paulo, envolvendo sete empresas acusadas de dividir entre si os municípios paulistas na terceirização da merenda escolar. Em Sorocaba Os contratos celebrados com a Prefeitura de Sorocaba também são investigados há mais de um ano pelo MP. A Prefeitura local já negou qualquer irregularidade. O promotor de Justiça da Defensoria do Patrimônio Público em Sorocaba, Orlando Bastos Filho, disse ontem que avalia vários contratos complexos para apurar se as licitações foram direcionadas para a J. Coan, mas até o momento não é possível fazer qualquer afirmação. Leandro Nogueira, com Agência Estado Notícia publicada na edição de 02/07/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 7 do caderno A | |